Dizem que "hoje" é o dia e o momento mais importante de nossas vidas.
Mas não existe hoje sem um "ontem" e o "amanhã" sempre dependerá desses dois.
Ah, o amanhã... Esperança dos jovens, preocupação para os maduros.
O amanhã é sempre uma incógnita, obscuro. Será?
Não, nem tanto. Uma análise mais atenta de nossa vida e de nossas escolhas ontem e hoje podem nos iluminar sobre "como será o amanhã?".
E eu me pego repensando nas escolhas que fiz, as imaturas, impensadas, as enevoadas, todas elas.
E assumindo a responsabilidade por elas eu consigo olhar pro amanhã. Infelizmente, não sem alguma dor.
A dor das oportunidades perdidas, das escolhas erradas, da falta de amor, da ausência.
Minha maior dor no amanhã é a da ausência, uma ausência presente que denúncia meus maiores erros.
E dói pensar num amanhã sem alguns sonhos cortados por um ontem nebuloso.
Dói não ter mais nada a fazer.
Dói olhar para um amanhã inteiro, longo e sombrio sem vc.
Alguns dias eu posso fingir que consigo, em outros o amanhã só parece um grande castigo.
Fazer o quê, né?
Amanhã é outro dia.
Uma blog que é uma escrita de si, termo cunhado pela escritora Conceição Evaristo. Este é um espaço para palavras, teses, sonhos, indignações e devaneios. Espaço sem tempo, sem cobranças, sem amarras a não ser as da linguagem e dos sentimentos. Espaço de cura e de trocas. Um espaço no mundo.
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domingo, 24 de janeiro de 2016
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Mais saudades
Gratidão é a palavra do dia.
A todos e todas que de longe e de perto estiveram apoiando minha família nesse momento sensível. Principalmente aqueles e aquelas que apoiaram minha tia e meus meninos.
Meu tio Antônio (Fofinho /Barba) era pessoa querida e muito especial. Poucos sabem mas meu tio foi a única referência masculina que tive durante toda a vida, bem no meio desse mar de mulheres fortes que me cercam.
Era generoso, mas tb sabia ser duro, seu nome do meio era trabalho, era apaixonado pelos filhos e amava minha tia Ceinha, sua Zé.
Meu tio trabalhou a vida inteira, se aposentou e nunca deixou de trabalhar, viu os dois filhos formados, alimentou seu gosto por carro, TV e tranqüilidade.
Meu tio adoeceu, recentemente revisitou sua cidade de nascença, buscou sua cura e nós estivemos lá para apoia-lo. Tentamos tudo, não conseguimos um diagnóstico médico. Meu tio nos deixou. Mas deixou tb bons exemplos, deixou saudades e boas recordações. Muitas recordações. Vimos isso hoje dito por sua família, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Pessoas de credos diferentes. Cores e classes diferentes, todas as pessoas dando testemunho de sua incrível generosidade e força.
É tio... Descanse. Hoje somos gratos por termos caminhado lado a lado com ele e grato porque a vida dele foi testemunho de muita coisa boa e compartilhamos sobre isso em sua última homenagem.
A todos e todas que de longe e de perto estiveram apoiando minha família nesse momento sensível. Principalmente aqueles e aquelas que apoiaram minha tia e meus meninos.
Meu tio Antônio (Fofinho /Barba) era pessoa querida e muito especial. Poucos sabem mas meu tio foi a única referência masculina que tive durante toda a vida, bem no meio desse mar de mulheres fortes que me cercam.
Era generoso, mas tb sabia ser duro, seu nome do meio era trabalho, era apaixonado pelos filhos e amava minha tia Ceinha, sua Zé.
Meu tio trabalhou a vida inteira, se aposentou e nunca deixou de trabalhar, viu os dois filhos formados, alimentou seu gosto por carro, TV e tranqüilidade.
Meu tio adoeceu, recentemente revisitou sua cidade de nascença, buscou sua cura e nós estivemos lá para apoia-lo. Tentamos tudo, não conseguimos um diagnóstico médico. Meu tio nos deixou. Mas deixou tb bons exemplos, deixou saudades e boas recordações. Muitas recordações. Vimos isso hoje dito por sua família, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Pessoas de credos diferentes. Cores e classes diferentes, todas as pessoas dando testemunho de sua incrível generosidade e força.
É tio... Descanse. Hoje somos gratos por termos caminhado lado a lado com ele e grato porque a vida dele foi testemunho de muita coisa boa e compartilhamos sobre isso em sua última homenagem.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Escrevivendo
Só por hoje eu preciso escrever mais uma vez.
Só mais essa vez.
Para talvez não precisar escrever mais.
Talvez você ainda venha por aqui.
Ou talvez não venha mais.
Talvez você tenha seguido adiante, como disse tantas vezes.
Talvez você tenha cumprido a promessa.
A verdade é que eu te invejo porque você seguiu.
E eu só queria te esquecer.
Asim, como você fez,
Não ter que me perguntar
como você está a cada momento da vida.
Não ter que sofrer sua ausência, mesmo nos dias felizes.
Não ter mais que lembrar.
Eu não quero mais sentir meu peito arder quando, sem querer, ouço ou lembro do seu nome.
Eu quero seguir e esquecer. Eu quero! Eu quero!
Falo assim pra, talvez, me convencer.
A verdade é que hoje nos enxergo como somos
E sei que Nós, nunca foi possível, nunca foi provável, nunca
foi sequer talvez.
Mas fazer o quê com o que sinto?
A verdade é que eu passei e você ficou.
Passei pra você,
Ficou em mim.
A verdade é que ainda não sei como me obrigar a não te
escrever no seu aniversário
Mesmo sabendo que você já esqueceu o meu.
A verdade é que eu queria que fosse diferente.
É verdade, eu ainda não sei viver sem você.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Por hoje - Aniversário
Eu nasci às 19:48h e é em torno deste horário que escrevo.
Hoje completo mais um ciclo, 36 primaveras, tantas e tantas
luas, tantas e tantas experiências. Sempre experimentando e olhando o mundo com
a sede das novas oportunidades.
Este ano me trouxe alguns desafios intensos, tenho lidado
com a finitude de pessoas caras, mas sempre apostando na vida. Perdi pessoas importantes,
temi pela vida de outras, ganhei amigos, conheci pessoas lindas, me afastei de
outras, ampliei horizontes, me descortinei pra mim mesma e vivi cada momento
com segurança, fé e amparada pelas minhas bases. Meu ori, meus orixás, minha
família e amigos.
Viver nunca é fácil, é o que eu penso, mas é prazeroso, tem
que ser prazeroso! Eu perdi muito tempo quando mais jovem, sofrendo por conta
de ilusões que eu mesma criava, nos últimos ciclos tenho aprendido a olhar o
mundo, a mim e as pessoas com verdade, sem justificativas e atenta aos meus
próprios julgamentos, foi necessário terapia, fé e uma cota de decepções para
chegar até aqui, mas tenho construído uma vida interessante, com alto, baixos e
muito amor.
Neste ciclo eu conheci gente que me ensinou o valor da
diferença, da superação, do respeito. Teve gente que me ensinou sobre
auto-estima, sobre minha responsabilidade no mundo e com o mundo, teve gente
que meteu o dedo nas minhas feridas e me mostrou minhas incoerências, outras me
permitiram ser parte de suas famílias, de seus corações, de suas histórias. Teve
gente que riu comigo no trabalho, que se indignou com tantas questões, que fez
falta, que aprende junto e cresce junto. Algumas pessoas me confidenciaram suas
inseguranças e mostraram confiança, outras me fizeram assumir uma postura responsável
sobre a família, a fé e também sobre mim. Houve algumas que apenas me deram
amor, outras mostraram também que eu não fazia parte da vida delas ou que eu
estava sobrando por lá, mas eu também tive gente que chorou e riu comigo em
todos os momentos, que festejou, que contestou, que assistiu série juntos, que
se indignou. Eu tive minha querida mãe me amparando neste ano e a terei por
muitos mais. Então eu agradeço por tudo que vivi, por todos e todas que
estiveram comigo.
Hoje eu acordei com os meus, abracei, chorei, relembrei,
revalidei laços de antiga amizade e amor, hoje eu percorri distâncias para
estar com quem amo, com minha família, hoje eu li muita coisa boa, recebi
afagos, percebi e senti algumas ausências, porque eu sou dessas que não cobra
presença, mas nota e sente. Hoje eu me sinto bem, feliz. Eu tenho a vida que
mereço ter e assumo que daqui pra frente só depende de mim aumentar esse bem
que eu sinto e que transborda em todas as minhas relações, as relações de
verdade e em todos os laços que faço ao longo dessa caminhada.
Eu agradeço por todos os ciclos que vivi e por todos que ainda
viverei, por ter pessoas especiais, situações especiais e escolhas especiais na
vida. Agradeço por ser parte e pela oportunidade que a vida me dá de crescer
sempre mais.
Eu sou complexa e a cada ciclo compreendo mais de mim,
acredito que vida após os trinta me trouxe uma compreensão da vida que me
permite ser mais eu, mais plena, mais livre.
A cada ciclo eu tenho mais a agradecer, agradeço pela
oportunidade de existir, de servir a terra, ao céu e a lua, de amar os meus de
ser parte de alguns corações, de viver... Eu tenho vivido cada vez melhor e
sinto profunda gratidão por isso.
sábado, 26 de setembro de 2015
Quando o amor acaba... (?)
Enfim, uma hora seria necessário perceber
É verdade, o amor acabou!
E será que pode existir algo depois do amor?
Será que o amor é mesmo como tantas coisas na vida que tem
começo, meio e fim?
Não sei se amor, assim como a morte, é algo que possa ser
definido.
Definido assim num sentido prático, como quem delimita aqui
começa o amor e ali acaba.
Creio mais que o amor se transforma.
Era uma vez duas pessoas que vivendo suas vidas se conhecem,
se aproximam, descobrem essa ou aquela afinidade, essa ou aquela vontade de
pensar ou compartilhar algo juntas e vão aprendendo a se respeitar, se admirar
e, de repente, não se largam mais.
Algo se transformou, virou um imperativo para estar junto,
um bem querer, uma coisa sem nome misturada com muitas sensações e eis que você
ama.
E a vida acontece, por vezes os sonhos mudam, a cabeça muda,
os demais imperativos mudam e o que era amor volta a se transformar.
Às vezes se transforma em raiva, mágoa, dor e algumas raras
vezes se transforma em amizade.
Mas acho que a prerrogativa do amor é se transformar, sempre!
Às vezes se transforma em saudade.
E a saudade pode ser a escolha de guardar no coração os
melhores momentos de um amor antigo.
E assim foi... Não há mais motivos pra brigar por isso, a
vida é como é.
Tem dias que a gente sente mais, eu sinto sempre, mas quem
ama, sempre deixa o outro seguir rumo a sua felicidade.
O bem querer sempre permanece, mesmo quando a gente fica no
caminho.
Então, vai amor, seja feliz!
Eu continuo te amando nas lembranças que tenho de ti.
Um hora a gente se encontra e dá outro nome pra esse
sentimento.
Porque sim, o amor nunca morre, ele se transforma.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Porque ir é preciso...
Bom dia!
Começo este texto, escrito, desabafo com essa cordial saudação, mas não se engane, este é um texto de despedida.
Eu preciso ir e vou, só não sei pra onde, não sei ainda se será por vontade própria, mas sei que será doloroso partir. Eu tenho tentado camuflar a dor e dizer de maneira despretensiosa a meus amigos e amigas que irei pra Finlândia, mas a Finlândia é só uma alegoria, poderia dizer Suécia, Islândia, Suíça ou qualquer país que cremos ser mais igualitário. Mas a verdade é que apenas supomos, não creio realmente que seja mais fácil viver em outro país, pois problemas estão em todos os lugares.
Me despeço porque, infelizmente, não há lugar nessa sociedade para mim. Nem adianta dizer que isto é radicalismo, que o mundo está mudando, que estamos construindo algo que daqui há algumas gerações será melhor, etc. Desculpe, isso não basta. Estou falando de racismo mais a vez, estou falando dos arrastões no fim de semana, estou falando das medidas de segurança e dos discursos de Estado sobre essas medidas, estou falando sobre justiceiros e sobre o posicionamento da "sociedade de bem" nas redes sociais, estou falando do meu desespero em ler sobre tudo isso.
Como pode ter lugar para mim nessa sociedade se há menos de um ano uma mulher negra foi presa no Ceará, acusada de ter assassinado uma turista branca italiana, quase sem direito a defesa, apenas porque a justificativa dela para estar no Ceará era estar de férias. Suspeitaram pq ela não tinha álibi, era negra, estava viajando sozinha, passava os dias lendo à beira da piscina e era doutoranda. Eu poderia ser essa mulher, não, eu sou essa mulher, pois amo viajar, viajo muito sozinha, amo ler, sou negra e estou na mesma faixa etária que ela.
Eu quero ter filhos, não vou entrar nos méritos da questão da afetividade da mulher negra, apenas vou tocar em.um ponto: como eu posso pensar em ter filhos nessa sociedade? Eu sou negra, meu filho será negro. Vejam, por favor, como estão tratando as crianças negras. Vejam o que estão supondo ou fomentando no imaginário social sobre as crianças negras! Vejam e façam algo. Porque não é responsabilidade minha lutar contra todo o racismo, contra todo ódio que vem sendo destilado sobre essas crianças, meus futuros filhos, meus irmãos, primos, pai, avô. Eu não tenho escapatória, a não ser lutar contra isso, mesmo que seja pra manter minha família viva. A gente está lutando pra sobreviver e podemos partir a qualquer momento.
Eu tenho irmãos que são meus tesouros, um professor e músico, outro cientista da computação. São negros. No fim de semana que fez o maior frio aqui no Rio de Janeiro , com o coração sangrando eu orientei um deles a não usar casaco de capuz na rua. Homens negros não têm direito a isso. Eu tenho sobrinhos negros, lindos, duas crianças maravilhosas, um de 5 e outro de 7, os dois lindos, cultuadores de orixá e super sensíveis. Tenho dois irmãos que renasceram para o orixá no mesmo "barco" que eu. Um já tem 10 anos e o outro fará 10 no próximo mês. Há pouco tempo o pai de um deles, também com o coração sangrando, orientou ao filho a não manter as mãos escondidas em situação com policiais, uma criança de 10 anos...
Alguém tem noção do que significa para um pai ter que dizer isso ao filho? Alguém tem noção de como ter que fazer isso o feriu? Crianças negras não podem ser crianças, a marca de sua pele nos impõe limites. Homens negros não podem ser apenas homens, a marca de nossa pele nos impõe limites. A Mulher negra, ah... A mulher negra! Além de não podermos ser apenas mulheres, temos que conviver com todas essas perdas, toda essa dor e salvar o que for possível.
Podemos ser violentadas, podemos ter menores salários, podemos ser chacota por conta de nossa cor, cabelo, corpo, riso...
Um agente do Estado mencionou que um jovem não pode sair de São João de Meriti sem dinheiro para passar o dia na praia. Ora, eu saio de São João de Meriti todos os dias, estou, exatamente agora, num tremendo engarrafamento. Alguém sabe quanto eu tenho no bolso?
Então, se saio para trabalhar, para transformar meu esforço, meu conhecimento, minhas habilidades profissionais em moeda, tudo bem. Longe da praia eu posso transitar, mas se eu quiser ir a praia, não?
Quer dizer que ainda hoje a população negra só serve enquanto estiver disponível pra ser moeda?
Que lugar eu tenho?
Eu tenho outros primos, açougueiros, pastores, assistentes administrativos, tenho primos desempregados, tenho irmãos de santo, tenho a mim mesma e essa sociedade não nos quer, nao nos cabe. Para ela, esses homens são apenas um tipo de suspeito padrão e ninguém se importa em discursar da maneira que aumente esse estigma.
São imagens e discursos que vulnerabilizam a população negra.
Eu preciso mesmo ir, porque se não posso amar, não posso ter lazer, não posso ter filhos, não tenho acesso a estudo e trabalho com dignidade (a não ser que eu me esforce dez vezes mais que qualquer pessoa branca) o que me resta?
Meu único direito garantido desde a escravidão é trabalhar, desde que eu não sonhe em sair da pobreza. E é por isso que eu Brigo (atualmente com bem menos forças) com meus amigos dizendo que o problema da justiça social não é econômico. Pois é justamente a economia, o capitalismo, que mantém essas disparidades que nos hierarquizam.
Mas eu cansei de brigar, cansei, gente. Eu preciso ir antes que me matem ou antes que matem o que ainda resta de amor em mim.
Aos que foram tocados por estas palavras, façam algo, não por mim, mas por cada um de vocês, pra erradicar essa doença que nos têm matado a todos e todas. Aos que acharam radicalismo ou bobagem espero que não tenham que aprender da forma mais cruel sobre tudo isso que falo.
Eu não vou entrar em debates, não vou argumentar sobre isso. Hoje, eu só quero partir.
Desejo que alguém aí tenha um bom dia.
22/09/2015
domingo, 13 de setembro de 2015
Para Azoilda
É assim que nós somos!
Vivemos, lutamos, amamos, choramos, rimos...
Pra nós têm sido assim:
A luta antes do amor, o choro antes do riso.
Essa lógica vem de longe, assim como vêm de longe os nossos passos.
Passos que começam Nelas, que trilhamos sobre a pegada de cada preta que passa nesse mundo.
Vivemos, lutamos, amamos, choramos, rimos...
Pra nós têm sido assim:
A luta antes do amor, o choro antes do riso.
Essa lógica vem de longe, assim como vêm de longe os nossos passos.
Passos que começam Nelas, que trilhamos sobre a pegada de cada preta que passa nesse mundo.
Eu conheci Azoilda.
Não fui tão próxima, não tive a presença diária de seus sorrisos,
Não conheci sua vida e rotina, mas a conheci.
Conheci sua escrita transformadora, conheci sua força guerreira e amorosa,
Conheci seu olhar que te olha dentro, olha na alma e em instantes se conecta com essa alma ancestral que nos une e, assim, ela dizia exatamente a palavra certeira.
Conheci seu abraço aconchegante, verdadeiro e que está preso nos meus braços agora, enquanto escrevo.
Eu ouvi sua voz melodiosa como o mel de Oxum e como tal encantava para atacar e defender.
Nos defender e atacar todo mal que nos oprime, que nos divide e reprime.
Não fui tão próxima, não tive a presença diária de seus sorrisos,
Não conheci sua vida e rotina, mas a conheci.
Conheci sua escrita transformadora, conheci sua força guerreira e amorosa,
Conheci seu olhar que te olha dentro, olha na alma e em instantes se conecta com essa alma ancestral que nos une e, assim, ela dizia exatamente a palavra certeira.
Conheci seu abraço aconchegante, verdadeiro e que está preso nos meus braços agora, enquanto escrevo.
Eu ouvi sua voz melodiosa como o mel de Oxum e como tal encantava para atacar e defender.
Nos defender e atacar todo mal que nos oprime, que nos divide e reprime.
Ainda que haja dor nesses últimos momentos,
Ainda que a cabeça gire pensando na perda dessas mulheres extraordinárias
E nas causas que nos fazem partir
A maior perda seria nos perdermos e, assim, perderíamos o que ela nos deixa.
Ainda que a cabeça gire pensando na perda dessas mulheres extraordinárias
E nas causas que nos fazem partir
A maior perda seria nos perdermos e, assim, perderíamos o que ela nos deixa.
Ela lutou por nós, mulheres, por uma pedagogia mais humana e inclusiva, lutou com amor.
Eu a conheci e me sinto parte dela, porque ela faz parte de mim e de muitas a quem ela tocou, toca e tocará sempre que seguirmos adiante, pisando em algumas de suas pegadas.
Que Ela se junte às nossas Mães Ancestrais e continue sendo luz e ensinamento de onde estiver.
Porque nós, mulheres negras, vivemos em rede, aqui e em todos os planos.
Eu a conheci e me sinto parte dela, porque ela faz parte de mim e de muitas a quem ela tocou, toca e tocará sempre que seguirmos adiante, pisando em algumas de suas pegadas.
Que Ela se junte às nossas Mães Ancestrais e continue sendo luz e ensinamento de onde estiver.
Porque nós, mulheres negras, vivemos em rede, aqui e em todos os planos.
Auto amor em dias nublados
Chove no Rio de Janeiro.
E aqui dentro tá tudo nublado também.
Finalmente compreendi que
não é fácil morar aqui dentro dessa cabeça.
Na verdade, disso, eu sempre soube, mas acho que agora
consegui me alinhar com quem sou.
Sabe, essa estrada de auto amor é muito necessária, mas não
é construída por tijolos amarelos como na Terra de Oz.
Às vezes a gente tropeça, faz curvas e se desencontra
também.
A gente descobre que amar um outro é mais fácil do que amar
a si mesma e aceitar nossas imperfeições.
Porque a gente faz escolhas,
Muitas para nos protegermos, mas podemos (e vamos) ser
interpretadas apenas por não querer sofrer mais.
Nessa estrada a gente aprende também que não pode se
responsabilizar pelo olhar que o outro tem de nós.
E que algumas vezes sofreremos com más interpretações.
Porque cada um só enxerga com seus próprios olhos (parece
óbvio).
E nossos olhos, na maior parte do tempo, estão contaminados
pelo nosso passado.
O passado condena a nós mesmas e aos outros, porque não
aprendemos viver no presente.
Viver no presente é árduo, exige disciplina e desprendimento
E não é verdade que vivemos apenas o presente.
Vivemos hoje com o olhar de ontem e isso nem sempre é bom.
Chove lá fora e eu sinto medo do futuro.
Medo de um futuro onde não possa contar com esse outro que
não me entende.
Mas compreendendo que não consigo me fazer entender
E acho que cansei de tentar pedir confiança a alguém que não
pode confiar em ninguém.
E acho que cansei também de tentar me explicar a quem nunca
quis me entender.
Ou que nunca me viu sem os olhos das experiências passadas.
É verdade que meu amor não foi embora.
E, sinceramente, hoje sei que nunca irá.
Mas eu vou tentar afastar essa chuva e viver com as nuvens
que restaram.
Sim, eu vou tentar.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
É agosto, agradeça!
Agosto nunca é um mês fácil, mas sempre me dá a perspectiva da gratidão. Sim, ainda estamos no começo, mas esse é um aprendizado da vida. De toda minha vida.
Nenhum agosto é igual, porque nenhum ano é igual e eu sou eterna mutação.
Estava agora pensando quantas coisas foram resolvidas e pacificadas entre este agosto e o último.
Quantas pessoas saíram da minha vida, algumas não saíram da vida, mas saíram do coração e eu agradeço tanto por isso.
Poucas pessoas entraram efetivamente em minha vida do último agosto pra este, mas outras começaram a fazer parte do coração e eu igualmente agradeço.
Agradeço imensamente também por aquelas pessoas que entraram e permanecem por muitos agostos e creio que permanecerão por muitos outros.
Eu agradeço por entender melhor minha personalidade e lidar melhor comigo e com outros.
Saber, por exemplo, que sou simpática, mas não sociável é uma das grandes coisas que aprendi nos agostos da vida.
Este agosto não está sendo menos difícil, assim como nenhum outro foi.
Mas começar agradecendo pela oportunidade de viver a crise e crescer com ela, já dá outro tom pro agosto que passa.
Ele sempre passa.
Nenhum agosto é igual, porque nenhum ano é igual e eu sou eterna mutação.
Estava agora pensando quantas coisas foram resolvidas e pacificadas entre este agosto e o último.
Quantas pessoas saíram da minha vida, algumas não saíram da vida, mas saíram do coração e eu agradeço tanto por isso.
Poucas pessoas entraram efetivamente em minha vida do último agosto pra este, mas outras começaram a fazer parte do coração e eu igualmente agradeço.
Agradeço imensamente também por aquelas pessoas que entraram e permanecem por muitos agostos e creio que permanecerão por muitos outros.
Eu agradeço por entender melhor minha personalidade e lidar melhor comigo e com outros.
Saber, por exemplo, que sou simpática, mas não sociável é uma das grandes coisas que aprendi nos agostos da vida.
Este agosto não está sendo menos difícil, assim como nenhum outro foi.
Mas começar agradecendo pela oportunidade de viver a crise e crescer com ela, já dá outro tom pro agosto que passa.
Ele sempre passa.
Gratidão!
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Mulher
Mulher,
Bota pra fora essa dor!
Grita tudo que está em seu peito.
Esse peito que acolhe, que dispõe à luta,
Que amamenta, que se abre em amor e dor.
Mulher,
Deixa cair essa lágrima,
Não se envergonhe da tristeza, da fraqueza,
Do cansaço.
A vida é feita de luz e sombra,
De garra, determinação, atropelos.
E não é fácil reconhecer que dói,
Mas ainda mais cruel é ter que esconder a dor.
A vida tatuou a luta na sua carne,
Mas nem só de luta vivemos.
É preciso tréguas, espaço, aconchego, leveza.
É preciso ser, ser você, ser mulher.
Larga essa capa e essa espada,
Deixa cair essa armadura que te protege e te prende.
Abandona esse peso nos ombros,
Sorri, mulher!
Essa alegria no peito também pode ser sua.
E essa lágrima que derrama pode ser minha.
Compartilha.
Mulher,
Existem mãos, corações, almas no mundo.
Não fique sozinha.
Deixa que o mundo perceba que seu corpo é carne.
Que há sangue derramado
Dos seus, dos meus, dos nossos.
Não chore só.
Junte essa tristeza ao rio que nos precede.
Façamos dele um mar que nos leva além.
Além das dores, dos risos.
Onde sejamos apenas nós
Com dores e amores,
Apenas mulher.
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